Ciência e comunidade unem forças para a Gestão Ambiental de Aracruz
Seminário apresenta avanços chave na preservação de Aracruz
A gestão ambiental e a preservação da biodiversidade alcançam sua máxima eficácia quando há uma sólida integração entre o corpo científico e a comunidade local. Essa simbiose garante que as pesquisas sejam relevantes para o território e que os resultados se traduzam em ações práticas e sustentáveis, apoiadas por quem vive e interage diretamente com o ambiente.
Neste contexto, o seminário técnico científico “Corredor de Biodiversidade de Aracruz: Conectando Natureza, Ciência e Comunidade”, realizado nesta segunda-feira (17) em Santa Cruz, Aracruz, destacou-se como um marco essencial. O evento, promovido pela Prefeitura de Aracruz, por meio da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semam), serviu como uma plataforma de transparência e prestação de contas sobre os projetos desenvolvidos em áreas de preservação no município.
A iniciativa atendeu a uma demanda crescente da própria população – incluindo representantes de comunidades como Novo Irajá, Lajinha, Boa Vista, aldeia Caieiras Velha, Coqueiral, Barra do Sahy, Santa Rosa e Santa Cruz. Essas comunidades frequentemente apoiam iniciativas de pesquisa, como a coleta de dados e o monitoramento, mas sentiam falta da devolutiva sobre resultados e impactos obtidos.
O seminário, ao reunir pesquisadores, poder público, representantes de órgãos ambientais (ICMBio, Seama, IEMA) e conselheiros da RDS Piraquê-Açu, buscou sanar essa lacuna, reforçando a importância da ciência cidadã. A participação comunitária é crucial, pois ela detém o conhecimento tradicional e a experiência local que complementam os dados científicos, criando estratégias de preservação mais robustas e culturalmente adequadas.
Projetos de Restauração e Conservação em Foco
Diversos projetos de impacto foram apresentados, ilustrando o engajamento de Aracruz com a proteção da Mata Atlântica e seus ecossistemas associados.
- Restauração de Manguezais (Projeto Enec – UFES/Semam)
Pesquisadores da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), em parceria com a Semam, compartilharam os avanços do projeto Manutenção do Estoque Natural: Experiências Compartilhadas com a Comunidade Tradicional (Enec).
- O projeto visa a restauração de manguezais nos rios Piraquê-Açú e Mirim, ecossistemas vitais que servem como berçário para a vida marinha e atuam como barreiras costeiras naturais.
- Desde o início dos plantios em outubro de 2024, já foram plantados 85 mil propágulos, além de 807 mudas e o transplante de 13 mil mudas, evidenciando um esforço significativo na recuperação dessas áreas degradadas.
- Monitoramento e Conservação Hídrica
- “Barraginhas”: A Semam apresentou o projeto das “barraginhas”, pequenas obras de contenção de águas pluviais. Essas estruturas atuam como contrapartida de projetos desenvolvidos na bacia do Piraquê, ampliando a infiltração de água no solo, o que é fundamental para a manutenção dos lençóis freáticos e para a mitigação de secas e inundações. O projeto é finalista do Prêmio Farol do Bem.
- Ictiofauna Ameaçada (Rio Doce): O pesquisador Mário Vinícius Condini (representando o Prof. Dr. Maurício Hostim e equipe) destacou estudos sobre a Ictiofauna ameaçada do Rio Doce. Esses estudos dependem fundamentalmente da participação comunitária dos moradores na coleta de dados e no monitoramento das espécies, provando que o conhecimento local é um ativo científico indispensável.
- Recuperação de Ecossistemas de Restinga e Tabuleiro
- O Instituto Peroá compartilhou os resultados das ações de recuperação de áreas de Restinga e Mata de Tabuleiro na Área de Relevante Interesse Ecológico Municipal (Ariem) Aroeiras do Riacho. Essa iniciativa fortalece a agenda de proteção da Mata Atlântica, um dos biomas mais ameaçados do mundo, com menos de 15% de sua cobertura original preservada.
- O Conceito de Corredor de Biodiversidade
- O representante do Instituto Últimos Refúgios, Leonardo Merçon, apresentou a proposta do Corredor de Biodiversidade de Aracruz. O projeto visa conectar fragmentos de habitat – uma estratégia-chave na conservação moderna – para permitir o fluxo gênico entre populações de fauna e flora, valorizando o território através de fotografias e informações sobre a vasta diversidade local.
O seminário reafirmou que a ciência, ao sair dos laboratórios e se encontrar com as demandas e saberes da comunidade, transforma a gestão ambiental em uma responsabilidade e um sucesso coletivo.


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