Aracruz cresce, mas não pode ficar refém de um transporte que não acompanha a cidade
Aracruz já é estratégica para o Espírito Santo, principalmente agora com o Parklog ES, e precisa ser incluída no Sistema Transcol como política pública de mobilidade e dignidade ao trabalhador.
Por Hellen Clementino/ Folha Aracruz
Aracruz vive um dos momentos mais decisivos da sua história. O crescimento econômico é real, os investimentos estão chegando e o município tem feito a sua parte para se preparar para esse novo ciclo. No entanto, há um ponto que precisa ser tratado com mais seriedade e urgência: O transporte coletivo

É preciso dizer com clareza que problema não está na Prefeitura. O município tem buscado dialogar, cobrar, multar e cumprir suas responsabilidades. O gargalo hoje está na empresa concessionária do transporte coletivo urbano, que não tem conseguido — ou não tem se mostrado disposta — a oferecer um serviço compatível com o tamanho e o ritmo de crescimento de Aracruz.
Ônibus lotados, horários insuficientes, linhas que não atendem à realidade dos trabalhadores e estudantes, passagens com valores absurdos. Transporte público é serviço essencial. Não pode ser tratado como favor, improviso ou mera formalidade contratual. Ou funciona, ou precisa ser corrigido.

Outro ponto que merece atenção é a integração regional. O Governo do Estado mantém o Sistema Transcol, que opera em toda a Grande Vitória — Vitória, Vila Velha, Serra, Cariacica, Viana e Guarapari — e que hoje já chega até Fundão, exatamente na divisa com Aracruz, no portal da Grande Santa Cruz. A estrutura está ali, a poucos quilômetros.
Existe, inclusive, uma promessa do próprio Governo do Estado de ampliar o subsídio e estender o Transcol até Aracruz. Essa medida não seria um privilégio, mas um reconhecimento do papel estratégico que o município passou a ocupar no Espírito Santo. Integrar Aracruz ao sistema metropolitano de transporte significaria mais mobilidade, mais dignidade ao trabalhador e menos pressão sobre um sistema local já saturado.
O avanço do Porto da Imetame amplia ainda mais essa urgência. O complexo portuário consolida Aracruz como eixo logístico e industrial do Espírito Santo, atraindo trabalhadores de várias regiões, movimentando cargas, serviços e empregos em escala estadual.

Esse crescimento pressiona diretamente o sistema de mobilidade urbana e regional. Não é razoável que uma cidade que abriga um dos portos mais estratégicos do Estado continue refém de um transporte coletivo limitado, caro e insuficiente.
👉🏼 Se Aracruz sustenta parte relevante da logística capixaba, é justo que receba, na mesma proporção, investimento em transporte público digno, integrado e eficiente.

Enquanto isso não acontece, quem paga a conta é o cidadão. O trabalhador que sai cedo de casa, o estudante que depende do ônibus, a família que sente no bolso e no tempo perdido a ineficiência de um serviço que deveria ser básico. Realmente, com o tempo que se perde, o dia não tem 24 horas para todos.
Aracruz está crescendo e está fazendo a sua parte, melhorando a estrutura urbana em geral. Agora, é hora de cobrar da concessionária do transporte coletivo o cumprimento do seu papel e do Governo do Estado que transforme promessas em política pública concreta.

Desenvolvimento não pode andar mais rápido do que a vida das pessoas. Se Aracruz é estratégica para a economia do Espírito Santo, ela também precisa ser prioridade quando o assunto é mobilidade, transporte e qualidade de vida.

Moderação e Revisão de Conteúdo Geral. Distribuição do conteúdo para grupos segmentados no WhatsApp.




