Morte de ‘Dantinho’ em Guarapari reabre feridas de crime que chocou o país
Um desfecho violento em um sítio na localidade de Meaípe, em Guarapari, trouxe de volta às manchetes um dos capítulos mais sombrios da história criminal do Espírito Santo. Na tarde da última terça-feira (3), um corpo carbonizado e decapitado foi encontrado em meio aos escombros de uma casa incendiada.
Segundo familiares e informações confirmadas pela polícia, a vítima é Dante Brito Michelini, o “Dantinho”, de 75 anos. Dantinho era um dos nomes centrais do Caso Araceli. Em 1973, a menina Araceli Cabrera Sanchez, de apenas 8 anos, desapareceu em Vitória, sendo encontrada dias depois com sinais terríveis de violência. O crime, que completa mais de cinco décadas, tornou-se o símbolo nacional da luta contra o abuso infantil, dando origem ao Dia Nacional de Combate à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes.
Um crime sem culpados e o clamor por justiça
Apesar de terem sido condenados em 1980, Dantinho, seu pai Dante de Barros Michelini e Paulo Helal tiveram a decisão anulada anos depois. Em 1991, foram absolvidos por falta de provas, e o caso prescreveu em 1993 sem que ninguém fosse legalmente responsabilizado.
Dantinho vivia de forma reclusa no sítio desde a morte do pai. A descoberta do corpo ocorreu após uma funcionária da propriedade notar a falta de contato com o idoso e acionar a Polícia Militar.
A possível morte violenta de um dos acusados reacendeu debates sobre reparação histórica. Nas redes sociais, ganha força o movimento pela alteração imediata do nome da Avenida Dante Michelini, em Vitória, para Avenida Araceli.
A Polícia Civil informou que, devido ao estado do corpo, exames de DNA e análises laboratoriais serão necessários para a confirmação oficial da identidade, processo que pode levar semanas. Enquanto isso, o Espírito Santo assiste a mais um episódio de uma história que, mesmo após 50 anos, ainda aguarda por respostas definitivas.

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