A escola Marechal recebe sala sensorial e reforça um caminho que Aracruz não pode abandonar
Tem coisa que não dá mais pra fingir que não vê.
Quem convive com criança atípica sabe. Sabe do choro que ninguém entende, da crise que muitos julgam, da dificuldade que não aparece numa prova, mas pesa todos os dias dentro da sala de aula. E sabe, principalmente, o alívio quando encontra um lugar que acolhe de verdade. Foi isso que chegou agora à Escola Marechal Costa e Silva.

Mais uma sala sensorial foi entregue, fruto de uma parceria que vem dando certo entre a Prefeitura de Aracruz e o Rotary Club. E não é exagero dizer que isso muda a rotina de uma escola inteira.
Estamos falando da entrega de um espaço bonito, montado com luz diferente, equipamentos, um ambiente pensado. Pensado para quando a criança precisa respirar, quando o barulho vira excesso, quando o mundo lá fora fica grande demais. Ali dentro, o tempo desacelera.

A sala sensorial é, muitas vezes, o ponto de equilíbrio de quem estava à beira de desistir — ou de ser mal interpretado. É onde o aluno consegue se reorganizar e voltar. Voltar a aprender, voltar a conviver, voltar a ser visto como ele realmente é. E isso, pra muitas famílias, não tem preço.
Aracruz vem dando passos importantes nesse sentido. Ainda longe do ideal, é verdade. Ainda com desafios claros, principalmente quando se fala em capacitação de profissionais e acompanhamento contínuo. Mas é preciso reconhecer quando o caminho está sendo construído. E está.
A parceria com o Rotary mostra exatamente que quando há sensibilidade e vontade, as coisas acontecem. Não ficam só em promessa, não ficam só em reunião. Chegam na ponta. Chegam na escola. Chegam na criança.
E talvez o mais importante de tudo seja entender que inclusão não é favor, não é projeto pontual, não é algo pra sair bem na foto. É compromisso sendo mostrado na prática, sem promessa e com ação, como a Secretária de Gestão estratégica do município, Jeesala Coutinho, sempre insiste em dizer.
Compromisso com quem aprende diferente e quem sente diferente. Com quem precisa de um pouco mais de cuidado e que, por muito tempo, ficou à margem.
A sala sensorial da Marechal não resolve tudo. Mas ela diz muito.
Diz que alguém está olhando.
Diz que alguém está escutando.
Diz que, aos poucos, Aracruz começa a entender que educar também é sentir.
Por Hellen Clementino

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