Aracruz se consolida como eixo do crescimento econômico do Espírito Santo

Aracruz se consolida como eixo do crescimento econômico do Espírito Santo

Por Hellen Clementino

 

Talvez muitos aracruzenses ainda não tenham se dado conta do tamanho que Aracruz alcançou dentro do Espírito Santo. O crescimento é visível, constante e, sobretudo, estratégico. Hoje, sem exagero, Aracruz desponta como a cidade com maior potencial de crescimento econômico do estado — impulsionado por investimentos que avançam praticamente a cada minuto.

Um dos maiores símbolos dessa aposta estratégica é o Porto da Imetame, o novo complexo portuário que está sendo construído em solo aracruzense e que já atrai investimentos da ordem de R$ 2,7 bilhões, com possibilidade de chegar a R$ 4 bilhões conforme o avanço das obras previstas no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). O terminal terá infraestrutura para contêineres, grãos, cargas gerais e granéis líquidos, com calado de 17 metros e capacidade para movimentar grandes embarcações que antes não vinham ao Norte do Espírito Santo.

A estrutura está sendo pensada para receber os maiores navios do mundo e, na primeira fase de operação, tem previsão de movimentar 80 mil contêineres e 500 mil toneladas de carga geral por ano, gerando 650 empregos diretos e 300 indiretos somente na fase de implantação.

A importância de um porto como esse para Aracruz e para o Espírito Santo é ainda mais clara quando se olha para os números das exportações capixabas, particularmente do café, um dos produtos mais tradicionais e importantes da economia local. Em 2024, os portos do Espírito Santo exportaram um volume recorde de cerca de 8,38 milhões de sacas de café, superando o recorde anterior de 2002 e gerando mais de US$ 1,8 bilhão em receita cambial.

Desse volume total, 84% foram de café conilon, com mais de 7 milhões de sacas embarcadas, e os portos capixabas participaram com 17% de toda exportação brasileira de café no ano. Estudos do setor apontam que, considerando também saídas por outros portos em razão das limitações logísticas atuais, esse montante pode chegar a cerca de 12 milhões de sacas produzidas no Espírito Santo, o que amplia a participação do estado para 24% do total nacional.

Esses dados deixam claro que a logística portuária é um dos principais gargalos para a economia capixaba. Enquanto os números de produção batem recordes, parte da exportação ainda depende de outros portos fora do estado por falta de capacidade suficiente aqui. É exatamente esse cenário que o Porto da Imetame busca mudar, trazendo mais estrutura, segurança e competitividade para Aracruz e para todo o Espírito Santo.

Além disso, o projeto já despertou interesse de grandes operadores internacionais. Uma parceria assinada com a Hanseatic Global Terminals (HGT) prevê a operação de um terminal de contêineres com capacidade projetada de 1,2 milhão de TEUs, consolidando Aracruz como um polo relevante no comércio global.

O resultado disso não se limita às cifras de exportação. É emprego, renda, atração de novas cadeias produtivas e uma mudança estrutural no papel que Aracruz ocupa no mapa econômico, de uma cidade produtiva para um centro logístico estratégico do Espírito Santo e do Brasil.

Aracruz deixa de ser um ponto geográfico estratégico e passa a se afirmar como um polo logístico de relevância estadual e nacional. O que está acontecendo aqui é resultado de investimentos, localização estratégica e da capacidade de uma cidade que cresce, se transforma e assume um papel de liderança no desenvolvimento do Espírito Santo. Quem ainda não percebeu, talvez esteja apenas olhando pouco para a própria cidade.