Dayse, a comandante da Guarda de Vitória é morta dentro de casa e choca todo estado.
Mesmo treinada, armada e em posição de liderança, comandante não teve chance de reagir; crime reforça que a violência contra a mulher continua começando dentro de casa.
A segunda-feira (23) começou diferente em Vitória com uma notícia policial de cinco tiros contra a Comandante da Guarda Municipal que atravessa a todas as mulheres.
Dayse Barbosa, foi morta dentro da própria casa, no bairro Caratoíra, durante a madrugada. O autor dos disparos foi o companheiro, o policial rodoviário federal Diego Oliveira de Souza, que, logo depois, tirou a própria vida dentro da residência.
As informações que já vieram à tona ajudam a desenhar um cenário difícil de encarar. Não houve confronto, não houve discussão no momento do crime. Ele entrou na casa durante a madrugada por uma escada, utilizando a parte externa do imóvel. Subiu pela marquise, acessou o interior e foi direto até o quarto. Dayse estava dormindo.
O secretário de Segurança Urbana de Vitória, Amarilio Boni, confirmou a dinâmica com uma franqueza que dispensa interpretação:
“Ele foi com o intuito de cometer o feminicídio. Levou materiais para entrar na residência e subir na marquise. Tudo indica que ela estava deitada, dormindo, e não teve possibilidade de reação.”
A cena encontrada depois reforça a sequência de que, após os disparos, ele foi até a cozinha e tirou a própria vida. Um crime que começa e termina dentro da mesma casa.
A investigação trata o caso como feminicídio e trabalha agora para entender o histórico da relação. Há indícios de desgaste e de que a comandante já não mantinha o relacionamento da mesma forma. Celulares e outros elementos devem ajudar a esclarecer o que antecedeu a madrugada do crime.
Mas há algo que já está claro, mesmo antes do fim das investigações.
Dayse era uma mulher treinada, preparada, armada, comandante de uma corporação. Alguém que lidava diariamente com situações de risco, que orientava, que protegia. E isso não foi suficiente para mantê-la viva.
Eu já precisei tirar ele de cima da minha filha uma vez. Ele estava com a mão no pescoço dela, apertando. Naquele dia eu consegui impedir. Dessa vez eu não consegui. Ela tinha terminado com ele, pediu pra ele procurar ajuda, se tratar… mas ele não aceitou. Eu estava em casa, ouvi os disparos… e quando cheguei, já não tinha mais o que fazer”*_ – diz o pai da vítima.
Esse caso escancara uma verdade que muitas vezes se tenta ignorar. A violência contra a mulher não se resolve apenas com preparo individual. Não depende só de força, de técnica ou de posição. Quando ela nasce dentro de casa, ela rompe qualquer lógica de proteção.
Vitória vinha de um período longo sem registros de feminicídio. Eram mais de 600 dias. Um número que trazia algum alívio, ainda que silencioso. Essa sequência foi interrompida de forma brutal.
Dentro da Guarda Municipal, o impacto é sentido no vazio que fica. Entre colegas, o que se vê é incredulidade. Do lado de fora, cresce um sentimento de alerta. Porque não se trata de um caso isolado.
Se uma comandante, com treinamento, arma e experiência, não teve chance de reagir, isso diz muito sobre o tipo de violência que ainda está presente. Ela não avisa. Não respeita rotina. Não mede força.
E continua acontecendo, quase sempre, no mesmo lugar: dentro de casa.
🖤
Por: Najara Hellen Clementino, com tristeza.

Moderação e Revisão de Conteúdo Geral. Distribuição do conteúdo para grupos segmentados no WhatsApp.



