Espírito Santo consolida uma das fronteiras agrícolas mais caras do Brasil no novo Atlas do Incra

Espírito Santo consolida uma das fronteiras agrícolas mais caras do Brasil no novo Atlas do Incra
arabica coffee berries with agriculturist handsRobusta and arabica coffee berries with agriculturist hands, Gia Lai, Vietnam

Terras de Café no ES superam preços de grãos de Santa Catarina e alcançam topo do mercado nacional

O novo Atlas do Mercado de Terras, divulgado recentemente pelo Incra, confirma uma tendência que o agronegócio já acompanha de perto: a terra produtiva tornou-se um dos ativos mais caros do país. O levantamento coloca o Espírito Santo em uma posição de destaque nacional, com valores de mercado que rivalizam com as potências de grãos do Sul do Brasil.

O Atlas do Mercado de Terras, elaborado pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), é uma das ferramentas de monitoramento fundiário mais robustas do Brasil. Ele funciona como um mapeamento técnico e estatístico que detalha os valores de mercado das terras em todo o território nacional.

Diferente de tabelas de preços comuns, o Atlas é construído a partir do Relatório de Análise de Mercados de Terras (RAMT), que coleta dados reais de transações, ofertas e opiniões de peritos em diversas regiões.

O Poder das Terras de Café

O grande motor da valorização capixaba é a cafeicultura de alta performance. Em regiões dedicadas ao cultivo, o preço do hectare ultrapassou patamares históricos, impulsionado pela rentabilidade das safras e pela infraestrutura local. O preço do hectare de terra no Norte do Espírito Santo é um exemplo disso, estando entre os mais altos do Brasil. Em municípios como Linhares, São Mateus, Aracruz, Jaguaré, Vila Valério, Rio Bananal e Sooretama, o hectare está sendo vendido em média por R$ 200 mil. Mesmos níveis de preços praticados, por exemplo, em Franca, interior de São Paulo, uma das regiões mais caras do estado paulista.

• Pico de Valorização: No Norte e Noroeste do estado, o hectare destinado ao café pode exceder os R$ 215,7 mil.

• Municípios em Foco: Cidades como Rio Bananal, Jaguaré, Vila Valério, Sooretama, Governador Lindenberg e Marilândia formam o “cinturão de ouro” da cafeicultura valorizada.

Comparativo Nacional: Café vs. Grãos

O levantamento do Incra traça um paralelo interessante entre diferentes culturas e regiões. Enquanto o café valoriza o solo capixaba, o setor de grãos eleva os preços em Santa Catarina.

• Xanxerê (SC): Referência na produção de grãos, com o hectare negociado a cerca de R$ 209,4 mil.

• Diferencial Capixaba: As áreas de café no Espírito Santo conseguem superar até mesmo os valores de regiões consolidadas no Sul, mostrando a força econômica do setor no Sudeste.

Por que o Atlas é tão importante?

A importância do Atlas do Incra vai muito além de apenas precificar uma fazenda. Ele serve como uma bússola para o setor público e privado:

  • Justiça em Desapropriações: É a base legal para que o Incra defina o valor justo de indenizações em processos de reforma agrária, evitando pagamentos excessivos ou subvalorizados.

  • Referência para o Crédito Agrícola: Bancos e instituições financeiras utilizam esses dados para avaliar garantias reais em empréstimos e financiamentos para produtores rurais.

  • Transparência Tributária: Auxilia prefeituras e a Receita Federal na fiscalização do ITR (Imposto Territorial Rural), combatendo a sonegação por meio de declarações de valor venal abaixo do mercado.

  • Estratégia de Investimento: Para investidores e empresas do agronegócio, o Atlas revela tendências (como a valorização explosiva do café no Espírito Santo mencionada anteriormente) e ajuda a identificar novas fronteiras agrícolas.

  • Ordenamento Territorial: Permite ao governo entender como o uso do solo está mudando (ex: áreas de pastagem virando lavoura) e quais regiões sofrem maior pressão econômica.

Cenário Atual

A conclusão do Atlas é clara: terra de qualidade tornou-se um artigo de luxo. A combinação de solo fértil, clima favorável e logística eficiente transformou essas propriedades em investimentos altamente cobiçados, consolidando o Espírito Santo como uma das fronteiras agrícolas mais caras e rentáveis do território brasileiro.