Lançamento do Projeto Apó e Seminário Histórico marcam visibilidade indígena com deficiência em Aracruz
Direito, inclusão e visibilidade: reflexões e trocas de saberes para o Bem Viver das pessoas indígenas com deficiência
Cuidar é atravessar barreiras. É o que a Apae Orla e a Secretaria Municipal de Saúde estão mostrando em Aracruz com o lançamento do Projeto Apó — que significa raízes. Todas as sextas-feiras, equipes das duas instituições levam atendimento conjunto às aldeias Comboios e Pau-Brasil, fazendo do cuidado uma ponte sobre rios e distâncias.
O Projeto leva serviços de saúde mental e apoio a crianças e adolescentes com transtornos do neurodesenvolvimento até quem vive em áreas de difícil acesso. Para chegar às comunidades, é preciso atravessar o rio de barco. Mas agora o cuidado chega ali, todos os dias de sexta-feira, como uma promessa cumprida.
Profissionais da Apae e do CAPSi caminham lado a lado com famílias, prestando atendimento, ouvindo histórias, orientando sobre direitos e oferecendo oficinas que estimulam linguagem, motricidade, comunicação e fortalecimento da identidade. É atenção que acolhe, ensina e empodera.
A secretária de Saúde, Rosiane Scarpatt, resumiu a importância dessa ação:
“Quando o poder público atravessa o rio e chega até as pessoas, nós estamos cumprindo o papel mais bonito da saúde, que é o cuidado. Essa ação é sobre garantir que nenhuma criança, nenhum jovem e nenhuma família fiquem à margem por conta da distância. É sobre ouvir, acolher e dizer que eles não estão sozinhos. É um gesto que fala de respeito, de equidade e de amor ao próximo. A Aldeia Comboios é parte viva da nossa história e da nossa gente. Quando o poder público e a sociedade civil caminham juntos, quem ganha é a comunidade, é o ser humano”, comentou Rosiane.
A presidente da Apae Aracruz, Gilcinéa Xavier, também destacou a força da iniciativa:
“Levar os serviços da Apae até a aldeia é um marco. É fazer com que as pessoas sintam que o cuidado também chega até elas, independentemente de onde vivem. Essa ação nos emociona porque reafirma o poder transformador da inclusão e mostra que o amor e o respeito à diversidade podem atravessar qualquer rio. Essa é a essência da Apae: levar acolhimento, promover autonomia e garantir que todas as pessoas, com ou sem deficiência, sejam vistas, respeitadas e valorizadas em sua plenitude”, afirmou Gilcinéa.
O Projeto Apó é um ato de cidadania e de luta por equidade, uma mensagem clara de que cuidado, respeito e inclusão não têm fronteiras.
Seminário histórico na Aldeia Pau-Brasil reforça a visibilidade das pessoas indígenas com deficiência
No mesmo dia, 10 de setembro, a Federação das Apaes do Espírito Santo, em parceria com a Apae Aracruz, promoveu o seminário “Direito, inclusão e visibilidade: reflexões e trocas de saberes para o Bem Viver das pessoas indígenas com deficiência”.
Cerca de 300 pessoas participaram, incluindo lideranças indígenas, especialistas nacionais e internacionais, autoridades públicas, famílias e equipes da rede de atenção. O encontro foi um espaço de diálogo profundo, onde saberes tradicionais se encontraram com políticas públicas inclusivas, abrindo caminho para novas conquistas.
O seminário reforçou que ninguém deve ser deixado para trás. Foi um lembrete de que inclusão é luta diária e de que cada criança, cada jovem e cada família têm direito a ser vistos, ouvidos e respeitados.

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