Palestra on-line orienta famílias de Aracruz sobre comportamento infantil
Evento promovido pela Secretaria de Educação debateu se as reações das crianças são desafios à autoridade ou pedidos de ajuda.
A Prefeitura de Aracruz, por meio do Setor de Educação Infantil, realizou na última quarta-feira (6) uma live voltada às famílias dos alunos da Rede Municipal. O encontro virtual, transmitido pelo YouTube, foi mediado por Adriana Alves dos Santos Abud — diretora do Cmei Chapeuzinho Vermelho, psicanalista clínica e especialista em desenvolvimento infantil.

A secretária de Educação, Jenilza Spinassé, abriu o evento reforçando a importância do diálogo contínuo entre a gestão pública e as famílias para o fortalecimento da formação escolar e pessoal dos estudantes.
O cérebro como reflexo do ambiente
Durante a palestra, Adriana Abud explicou que os primeiros cinco anos de vida são os mais críticos para o desenvolvimento cerebral. Segundo a especialista, os pais atuam como “arquitetos” desse processo: experiências positivas e ambientes pautados pelo respeito criam conexões neurais saudáveis, enquanto contextos de violência ou negligência podem resultar em prejuízos estruturais ao órgão.
A especialista utilizou exames de ressonância magnética para ilustrar como o cérebro de uma criança de três anos pode sofrer atrofia quando exposto a relacionamentos tóxicos. “Crianças que crescem sob críticas destrutivas tendem a se tornar adultos inseguros. O relacionamento saudável é o que realmente ensina”, afirmou.
Entendendo a “birra”
Um dos pontos altos da formação foi a explicação sobre os hemisférios cerebrais. Adriana pontuou que, na primeira infância, o lado direito (emocional e intuitivo) é predominante. Como o córtex pré-frontal — responsável pelo controle de impulsos — só amadurece plenamente na vida adulta, a criança ainda não possui ferramentas biológicas para a autorregulação plena.
Para facilitar a compreensão, foi utilizada a metáfora do iceberg:
* O topo: Representa o comportamento visível (o choro ou a irritação).
* A base submersa: Representa a carga emocional e as necessidades não atendidas que geram tal reação.
A palestra foi encerrada com um convite à reflexão sobre a educação a longo prazo, substituindo o foco na punição imediata pelo encorajamento e pela busca de soluções saudáveis. “Não existe criança malcomportada, existe criança mal encorajada”, concluiu a orientadora.
Fonte : Prefeitura de Aracruz


